A partir deste domingo (6), os passageiros de fora da União Europeia que passarem pelos aeroportos de Portugal poderão enfrentar um cenário ainda mais caótico. A entrada em vigor da etapa final do Sistema Europeu de Entrada/Saída (EES, na sigla em inglês), mecanismo de controle de fronteiras com dados biométricos, deve aumentar a pressão sobre os terminais. Serão recolhidas fotografia e impressões digitais dos viajantes de países que não fazem parte do bloco, conforme as regras do sistema.
O mecanismo é automatizado e o registro, feito digitalmente, tornando desnecessário o carimbo físico no passaporte a cada novo ingresso. “O EES começou a ser implementado de forma parcial em outubro do ano passado e deve entrar em funcionamento integral em setembro.” A União Europeia recusou o pedido de Portugal e de outros sete países para que o prazo fosse estendido.
Desde o ano passado, os aeroportos portugueses têm registrado longas esperas. Embora o terminal de Lisboa tenha sido o mais afetado, com filas superiores a seis horas no final do ano passado, os de Porto e Faro também enfrentaram problemas.
Leia também
Portugal anuncia medidas urgentes para reduzir espera no aeroporto de Lisboa
A capital é a que mais recebe cidadãos de fora da União Europeia (mais de 10 milhões ao ano). Os atrasos já têm impactado fortemente setores da economia portuguesa, inclusive o turismo, conforme a EntreRios noticiou aqui.

Sistema eletrônico de biometria tem apresentado falhas desde o ano passado. Crédito: Renan Araujo
Em junho, o presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), Miguel Quintas, destacou que o país já enfrentava danos à sua reputação e criticou a postura do governo. “As medidas até agora são insuficientes, e as que serão implementadas não vão solucionar a questão para o verão. A verdade é que estamos piores do que antes”, criticou.
Leia também
Portugal tem aeroporto no ranking dos piores da Europa em atrasos
Ele elencou ainda alguns dos problemas existentes. “Há falta de pessoas para dar indicações e de locais para que os passageiros possam se acomodar durante as filas. Também há questões sobre de onde virão os efetivos a mais para trabalhar nos terminais”, relembrou Quintas.
Ao longo deste ano, o governo português anunciou melhorias para o atendimento no aeroporto de Lisboa. Entre elas estão a contratação de mais agentes, a ampliação do número de cabines e de portas eletrônicas de controle automático de passaportes, conhecidas como e-gates, além da incorporação de mais policiais da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras. Ainda assim, longas esperas continuaram sendo registradas nos últimos meses.
O que diz o governo português
Segundo o primeiro-ministro Luis Montenegro, a entrada em funcionamento do EES deve representar uma “pressão acrescida sobre o trabalho”. “Vamos ter novamente aqui um impacto do ponto de vista do desafio sobre todo o funcionamento deste sistema. Queremos nos prevenir para que tudo corra bem”, afirmou em entrevista à Agência Lusa.
Leia também
Ministro português reconhece que atrasos prejudicam a imagem de Portugal e anuncia melhorias para o Aeroporto de Lisboa em junho
O político disse ainda que será feito um “acompanhamento permanente que, naturalmente, desembocará em maior investimento do ponto de vista tecnológico”. Montenegro disse que outras mudanças também estão sendo planejadas. “Há uma necessidade de investimento no aeroporto do Porto, por exemplo, que será desenvolvido rapidamente. Porque o número de passageiros aumentará nos próximos tempos”.
Apesar dos desafios, Montenegro diz que há uma evolução positiva, com investimentos em tecnologia e recursos humanos, além de maior articulação e coordenação entre as áreas envolvidas. Ele também ressaltou que as grandes filas prejudicam a imagem de Portugal, assunto que já foi tratado pelo ministro da Habitação e Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, há alguns meses.
renan@revistaentrerios.pt

Renan Araújo