Gil Semedo é um dos principais nomes da música popular cabo-verdiana contemporânea e criador do caboswing, gênero que mistura ritmos e tradições de Cabo Verde com influências internacionais como pop, R&B, zouk e raga. Aos 35 anos de carreira, o artista revisita essa trajetória no show Caboswing – novo & velho tour, que acontece na sexta-feira (11), no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
Nascido na Ilha de Santiago e criado na Holanda desde os seis anos, construiu uma carreira marcada pela mistura de referências e pela conexão entre diferentes gerações e culturas. Conhecido pelo público como o “Rei do Pop de Cabo Verde”, ele divide o palco com sete convidados especiais na apresentação, que reúne diferentes momentos de sua trajetória.
Em entrevista à EntreRios, o artista fala sobre Michael Jackson, a influência da diáspora em sua identidade musical, o significado de morabeza, a projeção internacional de seu país natal e os planos para os próximos anos, incluindo o lançamento de uma autobiografia e a criação de uma fundação dedicada à liderança e à formação de jovens. “O que está no meu coração, na minha alma, é isso que vou dar ao público”.

Para Gil Semedo o caboswing é uma nova identidade e um movimento. Crédito: Divulgação
Como descreveria a experiência de assistir a um concerto seu?
Sou muito honesto com a música. O que sinto, o que está no meu coração, na minha alma, é isso que vou dar ao público. Trago sempre carinho, amor, alegria e muita energia.
Por que decidiu compartilhar o palco com tantos artistas?
Neste novo álbum, fiz uma parceria com vários artistas da nova geração porque queria trazer 35 anos de bagagem de caboswing, mas agora com um som fresco.
O que esse ritmo representa dentro da sua trajetória?
É o meu estilo musical, mas não só: é também uma nova identidade e um novo movimento. Em casa ouvia sempre música tradicional de Cabo Verde. Na Holanda, tive contato com influências do pop, R&B, zouk e raga, e misturei tudo isso com a tradição cabo-verdiana, como o batuco, o funaná e a coladeira. Por isso falo de identidade: já não somos simplesmente cabo-verdianos, somos cidadãos do mundo.

Os artista convidados por Gil Semedo para o show do Coliseu dos Recreios. Crédito: Divulgação
Quais foram as suas principais referências musicais?
Michael Jackson, em todos os aspectos. Também artistas cabo-verdianos que vieram antes de mim, como os Bulimundo, a banda Cabo Verde Show, o produtor Mano Lima e Norberto Tavares. Tenho muita admiração por eles.
E como encara o título de “Rei do Pop de Cabo Verde”?
Sei que o público me considera assim, talvez por ter uma grande admiração por Michael Jackson, que é o meu herói. Inovei na música cabo-verdiana, tanto no estúdio quanto em cima do palco.
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O país ganhou grande visibilidade internacional com o futebol. Como viveu esse momento?
Meu país normalmente é conhecido por causa da música e da cultura. Agora mostramos também que o esporte faz parte dessa força. É toda a morabeza de Cabo Verde que os Tubarões Azuis (como é conhecida a seleção de futebol) mostraram. Por causa deles, agora somos conhecidos pelo mundo inteiro.

Maria Julia, o single de Gil Semedo. Crédito: Divulgação
O que significa morabeza?
É uma palavra crioula. Tem a ver com hospitalidade, com essa abertura que temos para todas as raças e para todo o povo, com o respeito.
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Há artistas cabo-verdianos que admira, mas que não necessariamente influenciaram o seu trabalho?
Sim. Cesária Évora (1941-2011), por exemplo, está mais ligada à música tradicional. Eu sou mais da inovação. Mas ela tinha uma grande voz e ajudou Cabo Verde a ser conhecido pelo mundo.
Quais são seus planos para o futuro?
Neste momento, estou concentrado no show do Coliseu dos Recreios, para que tudo seja perfeito. Quero que o público sinta orgulho ao ver um cabo-verdiano em cima do palco. Também já escrevi uma autobiografia, que deve sair no final do ano, e pretendo criar uma fundação.
Como será essa fundação?
Será uma fundação de liderança. Terá como foco principal ensinar os jovens a liderar e a assumir responsabilidades. Quero fazer discursos em universidades e em várias organizações, porque a educação é muito importante. Não basta dar o peixe; é preciso ensinar a pescar.
Serviço
Caboswing – novo & velho tour acontece na sexta-feira (11), no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O espetáculo reúne Gil Semedo e sete convidados especiais — Melodia, Gil & The Perfects, Mika Mendes, Loony Johnson, Tó Semedo, Buguin Martins e Lyzaira — em um encontro entre diferentes gerações da música cabo-verdiana e lusófona. Os ingressos estão à venda online a partir de 40 euros.
jordan@revistaentrerios.pt

Jordan Alves