O Espaço Favela foi o ponto de encontro de Cabelinho e TZ da Coronel no Rock in Rio nesta sexta-feira (11), mas a apresentação também serviu para reforçar um desejo que o rapper carioca já havia manifestado em outras ocasiões: ocupar palcos ainda maiores dentro dos grandes festivais. Ao lado do parceiro, Cabelinho celebrou a presença de artistas da favela no evento e defendeu que a representatividade não fique restrita a um único espaço.

“Significa bastante para a gente que é favelado. E eu fiquei feliz de dividir o palco com outro favelado, que é o TZ da Coronel. É muito legal ver outros artistas da favela ganhando oportunidade, afirmou em entrevista à EntreRios.

Cabelinho conhece bem a dimensão do Rock in Rio. O artista já passou pelo festival em outras oportunidades e também se apresentou na edição de Lisboa. Desta vez, a experiência ganhou um significado diferente ao dividir o palco com TZ da Coronel, amigo e parceiro musical com quem lançou o álbum Palácio de Lona.

“O TZ foi um cara que eu sempre fui muito fã. Espero que venha mais oportunidades para a gente mostrar o nosso trabalho.”

Crédito: Reprodução / X (@Stray_Kids) Leia também Rock in Rio: Stray Kids faz show histórico em primeiro dia dedicado ao k-pop

“É um favelado fortalecendo o outro”

A apresentação também abriu espaço para dois nomes mais jovens: Raflow e Vinicin. Para Cabelinho, levar os artistas ao palco faz parte de uma lógica de colaboração que considera fundamental para quem está começando a carreira.

O rapper resume a ideia de forma direta: “Estão me perguntando como é que foi o Raflow e o Vinicin cantando com nós. É um favelado fortalecendo o outro. Dando oportunidade para o próximo, e o próximo dando oportunidade para o próximo, e assim continua, tá ligado?”

“Nós queremos o Palco Mundo”

Para Cabelinho, o fato de artistas da comunidade ocuparem o Espaço Favela não significa que eles devam ficar limitados a ele. A ideia também foi reforçada por TZ da Coronel, que fez questão de deixar claro o desejo de chegar ao principal palco do festival.

“Nós queremos o Palco Mundo. Nós temos potencial, favelado tem potencial também para estar no Palco Mundo.”

Show foi montado em poucos dias

A preparação para a apresentação não foi simples. Segundo Cabelinho, os ensaios aconteceram em cima da hora, mas o resultado deixou o artista satisfeito.

“Foi bastante difícil. A gente ensaiou só dois dias. E foi bem bacana, eu consegui me entregar?”

A energia também foi um dos pontos comentados pelo rapper. Cabelinho associou o preparo físico ao momento em que decidiu parar de beber e fumar.

“Eu acho que não beber e não fumar conta muito nessas horas. Até mesmo porque é como se a gente estivesse fazendo cardio. Suor e tudo mais, pula, canta, tá ligado? Então, eu acho que é bastante importante para ter gás, saúde….”

Cabelinho e o carinho por Portugal

A passagem pelo Rock in Rio Lisboa também deixou lembranças para o artista. Cabelinho contou à EntreRios que se surpreendeu com a recepção do público português e destacou a relação que criou com o país.

“Eu gosto muito de Portugal. Primeira vez que eu fui para lá, me surpreendi muito com o público cantando tudo direitinho. Deu para ver que eles consomem bastante a nossa música. Rock in Rio Lisboa foi demais.”

Gil Semedo. Crédito: Divulgação Leia também “Rei do Pop cabo-verdiano”, Gil Semedo celebra 35 anos de música em Lisboa

O artista deixou no ar ainda a possibilidade de novas oportunidades fora do Brasil. Para Cabelinho, a resposta do público português mostrou que sua música já encontrou espaço por lá.

Novo álbum chega em setembro

A conversa teve espaço para novidades na carreira. Cabelinho anunciou o lançamento de Escorpião, marcado para 28 de setembro.

O projeto chega depois do trabalho conjunto com TZ, mas Cabelinho faz questão de separar as duas propostas. “O meu álbum não tem nada a ver com Palácio de Ilha de Guanabara, mas tá bem bom, porque eu sou bom, né?”

TZ também prepara um novo disco. “Em breve estará na rua, e naquele pique, a gente manda o trap para cima”, disparou.

Recado para a favela

Antes de encerrar, Cabelinho deixou um conselho para os artistas que estão começando e sonham em chegar aos grandes palcos.

“O bagulho é crescer, mas é o de sempre, não desista, tá ligado? Acreditar no seu sonho, foca, pensar que o bagulho tá dando certo. Tem que continuar trabalhando direitinho e cada vez mais chegando mais longe”