O primeiro dia do Rock in Rio 2026 terminou ao som de Foo Fighters. Headliner da sexta-feira (4), a banda americana levou quase 100 mil pessoas ao Palco Mundo e entregou um show de pouco menos de duas horas, marcado por sucessos da carreira, algumas mudanças no repertório e homenagens a Taylor Hawkins.

Roqueiros de diferentes gerações acompanharam a apresentação. Havia famílias que chegaram cedo à Cidade do Rock, fãs que acompanham a trajetória de Dave Grohl desde o Nirvana e uma nova geração que cresceu ouvindo Foo Fighters. Em sua sétima passagem pelo Brasil, a banda mostrou segurança no palco e manteve o público cantando durante praticamente toda a apresentação.

Aos 57 anos, Grohl também mostrou estar em boa forma como vocalista. A voz do cantor já apresentou sinais de desgaste ao longo dos anos, inclusive por problemas médicos, mas não comprometeu a performance desta sexta-feira. Antes de These Days, ele explicou como seria a dinâmica da apresentação:

“Não vamos parar entre as músicas porque hoje só temos duas horas de show. Cante as músicas e, se não souber a letra, é só imitar o cara mais velho do seu lado”.

A promessa foi cumprida. O Foo Fighters manteve o ritmo acelerado e apostou em uma sequência de músicas conhecidas, sem grandes intervalos. All My Life apareceu logo no início, enquanto Everlong ficou reservada para o encerramento, como já virou tradição nos shows da banda.

Foo Fighters no Rock in Rio. Crédito: Reprodução Instagram Rock in Rio

Foo Fighters reuniu quase 100 mil pessoas. Crédito: Reprodução Instagram Rock in Rio

A Pedra Bonita fica no Parque Nacional da Tijuca, entre São Conrado e a Barra da Tijuca. Crédito: Diego Baravelli / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0 Leia também Vai ao Rock in Rio? Veja 5 lugares para conhecer no Rio de Janeiro além do óbvio

O repertório também trouxe algumas novidades em relação à apresentação no The Town, em São Paulo, em 2023. Wheels e Marigold foram incluídas na seleção da noite, com a segunda ganhando um significado especial para os fãs que acompanham a trajetória de Grohl desde o Nirvana.

Marigold foi escrita por Grohl e apareceu originalmente em Pocketwatch, álbum lançado em 1992 pelo projeto Late!. No ano seguinte, o Nirvana gravou uma versão da música como lado B do single Heart-Shaped Box. Em 2006, uma gravação ao vivo do Foo Fighters entrou no álbum Skin and Bones. A faixa é, portanto, a única música lançada pelas duas bandas que fizeram parte da carreira de Grohl.

No Rock in Rio, o cantor aproveitou a introdução para relembrar a história da composição. “A primeira vez que vim ao Brasil foi em 1993. Esta música é mais velha que isso… Ela é para os fãs hardcore do Nirvana”, disse. Grohl contou ainda que escreveu a canção tocando baixinho para não acordar Kurt Cobain.

Homenagem

A homenagem a Taylor Hawkins também esteve presente. Aurora, do álbum There Is Nothing Left to Lose, de 1999, foi dedicada ao baterista, que integrou o Foo Fighters de 1997 até sua morte, em 2022. A música era uma das favoritas de Hawkins e também havia sido usada como homenagem no show do The Town.

Ilan Rubin na bateria. Crédito: Reprodução Instagram Rock in Rio

Ilan Rubin na bateria. Crédito: Reprodução Instagram Rock in Rio

A apresentação contou ainda com Ilan Rubin na bateria. O músico assumiu o posto em 2025, após a saída de Josh Freese, que havia ocupado a vaga deixada por Hawkins. Rubin acompanhou a banda durante toda a apresentação e marcou uma das principais mudanças na formação desde a última passagem do Foo Fighters pelo Brasil.

Nostalgia, surpresa e muito rock

O Foo Fighters pode ter sido o grande nome da primeira noite, mas não faltaram outros momentos para movimentar a Cidade do Rock. No Palco Sunset, a noite teve uma boa dose de nostalgia com encontros que colocaram sucessos conhecidos de volta para o público. Detonautas recebeu o Biquini Cavadão, enquanto Capital Inicial dividiu o palco com Dado Villa-Lobos, em apresentações que fizeram muita gente cantar músicas que atravessam gerações.

Capital Inicial dividiu o palco com Dado Villa-Lobos. Crédito: Reprodução Instagram Rock in Rio

Capital Inicial dividiu o palco com Dado Villa-Lobos. Crédito: Reprodução Instagram Rock in Rio

Crédito: EPA/ANDRE COELHO / Agência LUSA Leia também Rock in Rio: tudo que você precisa saber antes de ir ao festival no Brasil

Em outro ponto do festival, Diogo Defante apostou em uma fórmula bem diferente e acabou chamando a atenção de quem circulava pela Cidade do Rock. O humorista e músico levou seu repertório irreverente para o palco menor e cantou sobre assuntos pouco convencionais, como pelos pubianos e maconha. O resultado foi uma apresentação que atraiu um público disposto a trocar os grandes palcos por alguns minutos de caos e humor.

Já o Rise Against ficou responsável por preparar o terreno para o Foo Fighters. A banda americana fez um show consistente e entregou a dose de punk rock esperada pelo público antes da atração principal. Curiosamente, uma pergunta se repetiu em diferentes apresentações da noite: quem estava vendo cada banda pela primeira vez? Foo Fighters, Rise Against e Biquini Cavadão fizeram questão de descobrir quantos estreantes havia na plateia, lembrando que, mesmo para artistas com décadas de estrada, sempre existe alguém chegando pela primeira vez.

E a programação do Rock in Rio segue sem diminuir o volume. Neste sábado (5), o festival entra ainda mais no território do metal e do rock pesado, com Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon, MGK, Sepultura, Bad Omens e Poppy. Nos próximos dias, a Cidade do Rock ainda recebe nomes como Calvin Harris, Elton John, Stray Kids, Maroon 5 e Twenty One Pilots.

 

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