Setembro Amarelo é a designação de uma campanha promovida pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e neste mês somos impelidos a falar sobre este tema, que durante muito tempo foi tabu, por ser tão delicado. No entanto é fundamental conhecer os apoios e formas de atuar que podem ser fundamentais para a prevenção.

Falar sobre este tema exige coragem, pode despertar medo, tristeza, vergonha e até sentimentos de culpa. Mas é importante ressaltar que o ser humano ao longo dos séculos desenvolveu uma forte tendência para a autopreservação e para a sobrevivência. E essa é a sua natureza.

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No entanto, quando se encontra num estado de sofrimento psicológico intenso, essa tendência pode entrar em conflito com a forma como experiencia a própria existência.

Não significa necessariamente que o seu instinto de sobrevivência desapareceu, mas que o sofrimento pode tornar-se tão intenso que a pessoa deixa de conseguir percecionar a vida como algo bom, perde a esperança e pode deixar de enxergar os problemas ou as dores como algo transitório mas como um fardo que se perpetuará no tempo.

Comummente ninguém desejam atentar contra si próprio, mas acabar com a dor emocional que em certos momentos vive de forma muito intensa.

Hoje, sabemos que o silêncio, por si só, não protege. Pelo contrário, uma abordagem responsável, cuidadosa e acolhedora pode contribuir para que quem está em sofrimento encontre espaço para se expressar.

Quando alguém manifesta pensamentos suicidas, é importante compreender o sofrimento por detrás dessas palavras. A pessoa pode estar tentando interromper uma dor que parece insuportável naquele momento. Por isso, acolher essa dor, sem julgamentos ou críticas, se disponibilizar para ajudar ou simplesmente passar uma mensagem de esperança pode fazer a diferença.

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Existem diversos fatores que podem aumentar a vulnerabilidade, como antecedentes familiares, transtornos mentais, consumo de álcool ou outras substâncias, situações de perda, solidão, dificuldades familiares, desemprego, doenças incapacitantes ou períodos de mudanças e crises. Essas condições, porém, não significam que alguém irá desenvolver comportamentos suicidas. Cada situação é única e deve ser compreendida no seu contexto.

É também importante lembrar que uma crise pode ser transitória. Em momentos de intenso sofrimento, pode-se sentir que não existem alternativas, quando, na realidade, outras possibilidades se tornam visíveis com tempo, apoio e acompanhamento adequado.

Muitas pessoas em risco vivem uma profunda ambivalência: uma parte delas deseja que a dor termine, enquanto outra ainda deseja continuar a viver. É precisamente nesse espaço que o apoio deve atuar.

É importante fortalecer os vínculos nas relações com os outros, no sentimento de pertença, sabendo que se pode pedir ajuda, manter a esperança, os projetos, os afetos e a capacidade de encontrar sentido mesmo em períodos de grande sofrimento.

Os sinais e as manifestações, diretas ou indiretas, de desesperança nunca devem ser ignoradas. Frases como “não aguento mais”, “não vejo saída” ou “seria melhor não estar aqui”  não devem ser olhadas como uma tentativa de chamar atenção.

Deve-se sim abrir uma porta para que quem está em sofrimento fale sobre o que está a sentir. Escutar com calma, demonstrar preocupação genuína e ajudar a encontrar apoio profissional.

Em situações de risco imediato, é fundamental procurar ajuda através dos serviços de emergência ou dos recursos de saúde disponíveis.

Durante este mês de Setembro Amarelo, precisamos falar sobre vida, sofrimento, esperança, escuta e ajuda. Não necessitamos de todas as respostas, mas estar presente, ouvir sem julgar e ajudar a procurar apoio podem fazer toda a diferença.

Onde pedir ajuda

Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico — 1411, 24h/dia
• SOS Voz Amiga — 213 544 545 / 912 802 669 / 963 524 660, diariamente das 15h30 às 00h30
• Em situação de emergência — 112

Susana@revistaentrerios.pt