Fundada em janeiro de 2026, a startup Dolutech AI, voltada para promover a cibersegurança em pequenas e médias empresas, quer expandir seus planos internacionais e, para isso, busca captar na Espanha, em rodada pré-seed, um montante de 500 mil euros. Com isso, a empresa pretende se consolidar na Península Ibérica e, no segundo semestre do ano que vem, quer iniciar sua atuação nos Estados Unidos.
A empresa foi fundada pelo curitibano Lucas Catão de Moraes, especialista em cibersegurança, que chegou a Portugal em 2019. O empreendedor iniciou a Dolutech na Estônia, mas desde o início operou a empresa a partir do país lusitano. Para expandir sua atuação, chamou, em julho, o também empreendedor Halan Borges para se tornar cofundador e aprimorar a área comercial.
“O Lucas é muito técnico, consegue construir o produto, mas não tem muita vivência comercial. Eu entrei para ser a pessoa mais experiente, com a visão de negócio e de go-to-market. Ele me mostrou o produto, eu achei interessante, e ele perguntou se eu tinha o perfil. Vimos que dava um match e entrei na sociedade”, afirmou Halan. O contato surgiu a partir da aceleração realizada pela Dolutech IA e pela Cyber Me, empresa de Halan, no programa de aceleração português Cybertech Acceleration, idealizado pelo brasileiro Thiago Vieira e que levou diversas startups brasileiras do segmento a missões e imersões pela Europa e Estados Unidos.
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“Essa união intergeracional, com um jovem talento, reconhecido na área de inteligência artificial, pode fazer com que a gente consiga ter um alcance global com as nossas ferramentas”, destaca.
A Dolutech AI
Segundo Halan, as conversas com investidores espanhóis já estão bem avançadas e fazem parte da estratégia da empresa de expansão a nível europeu. “O mercado português é bem pequeno e restrito do ponto de vista de oportunidades. Quisemos sempre pensar Portugal e Espanha como um pequeno bloco para teste“, aponta.
O passo seguinte é o mercado americano, que ele descreve como gigantesco, mas mais exigente. “Sem planejamento, sem as entradas certas e sem dinheiro, você não consegue entrar. Tudo é maior, mas também é mais caro, mais difícil e com mais concorrência“, analisa. Ele explica que já há uma entidade legal constituída nos Estados Unidos para preparar a chegada da empresa.
O principal produto da empresa é um Centro de Operações de Segurança (Security Operation Center, na sigla em inglês – SOC) autônomo que funciona como um software treinado especificamente para lidar com ameaças à segurança cibernética.
“Em empresas maiores, serviço costuma envolver equipes de analistas que monitoram o ambiente e investigam alertas. A proposta da startup é automatizar esse trabalho com uma IA proprietária. As empresas não precisam contratar um engenheiro de segurança nem um serviço mais caro com pessoas. Isso é feito de forma automática e a base de dados é atualizada semanalmente, porque as ameaças mudam toda hora“, explica.
O baixo preço com proteção de sites a partir de 100 euros e de uma pequena empresa a partir de 300 com monitoramento 24 horas por dia é um dos diferenciais da empresa, conforme explica Halan. Segundo ele, a ideia é oferecer as tecnologias para agências de publicidade e de desenvolvimento de sites que podem levar as proteções a milhares de clientes finais. Hoje a empresa já possui mais de 10 clientes ativos (que possuem diversos outros clientes) em cerca de seis meses de operação.
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O empreendedor
A entrada na Dolutech é mais um capítulo numa trajetória que Halan, paulistano que completou 50 anos recentemente, vem construindo desde 2020.
Após ter atuado por mais de 20 anos como executivo de tecnologia na IBM, ele resolveu empreender durante a pandemia na área de educação para segurança cibernética em nuvem. Assim nasceu a Eduka7, que ainda segue em atuação no Brasil. Mas com o tempo a demanda mudou.

“Comecei a ter muita demanda de serviços de segurança e fundei a CyberMe em 2024 para atender isso. Quem me conhecia sabia que eu era muito mais popular pela minha carreira em serviços de segurança do que como dono de escola”, afirma.
A empresa descrita por ele como uma boutique de cibersegurança atua em consultoria para empresas, por meio de análise de maturidade cibernética, transformação de segurança, testes de intrusão e segurança reativa. Com atuação mais ampla, ele diz que a empresa se complementa à Dolutech.
Em 2024, ele iniciou o processo de vinda para Portugal, por meio do startup visa e com aprovação do projeto por parte do IAPMEI (Agência para Competitividade e Inovação do governo português). Após ter sido escolhida pela incubadora Cesae Digital, do Porto, a empresa entrou no programa Cybertech Acceleration, especializado em cibersegurança.
“O programa foi uma virada de chave e ajudou muito na questão da cultura do ambiente português além de ser um processo de brasileiro para brasileiro. Já participamos do Web Summit e da SIM Conference”, destaca.
Com clientes no Brasil e em Portugal, a CyberMe mantém projetos europeus no pipeline para 2027, no âmbito do programa Horizon Europe, em parceria com a Agência Nacional de Inovação. A submissão atraiu mais de 20 interessados de países como Grécia, Irlanda, Alemanha, Suíça, Geórgia e Espanha.
Os consórcios do programa exigem no mínimo três empresas de países diferentes. “Temos um consórcio já bem endereçado. Formamos o consórcio com essas empresas e eu escolho quem pode entrar na parceria para desenvolver o projeto e entrar na disputa pela liberação das verbas”, explica.
Para Halan, existe um grande potencial de crescimento do mercado de cibersegurança, mas ainda há pouco interesse pelo tema. O executivo compara esse investimento como um check up anual para a saúde e destaca que essa conscientização é parte de um processo de evangelização.
“As pequenas e médias empresas são o maior alvo de ataque, mas não têm essa consciência. Só que, a depender do ataque, a empresa pode não se recuperar. Elas entendem a cibersegurança não como prevenção, mas como um custo que não precisam ter. A gente tem que se conformar que é bombeiro: quando acontece uma desgraça, aí é ‘me ajuda, pelo amor de Deus’. Mas ser reativo, além de mais perigoso, é muito mais caro”, pondera.
Ele destaca que a cibersegurança vai muito além de um firewall ou um antivírus e que existem diversos outros mecanismos importantes como a gestão de identidades para proteção de senhas e o bloqueio automático de tela, recomendado a cada três ou cinco minutos de inatividade, além de outros cuidados com inteligência artificial.
Segundo ele, mais de 95% das empresas europeias são pequenas e médias, e elas são subprotegidas. Ele afirma que o mercado americano é o mais desenvolvido e que, na Europa, Reino Unido, Alemanha, Estônia e os países bálticos possuem mais consciência e melhores controles.
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Renan Araújo