Dois terremotos de grande magnitude que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24) deixaram um rastro de destruição, mobilizaram operações de resgate e acenderam o alerta entre comunidades de brasileiros e portugueses que vivem no país sul-americano. Eles ocorreram com menos de um minuto de diferença e desencadearam pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes.

O governo venezuelano decretou estado de emergência e mobilizou forças de segurança, hospitais e equipes de resgate para atender a população. Veja abaixo tudo o que se sabe sobre o terremoto.

Como foram os tremores?

Os tremores tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 e ocorreram com apenas 39 segundos de diferença, um fenômeno considerado raro pelos especialistas, chamado de ‘sismo gêmeo’. O epicentro do tremor mais forte foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas, e a uma profundidade de 13 quilômetros.

Os sismos provocaram o desabamento de edifícios, danos em infraestruturas, interrupções nos transportes e deixaram milhares de pessoas nas ruas durante a madrugada.

O epicentro do tremor mais forte foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas. Infográfico elaborado em 25/06/2026

O epicentro do tremor mais forte foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas. Infográfico EntreRios elaborado em 25/06/2026

Há vítimas?

Sim. O governo venezuelano atualizou nesta quinta-feira (25) o número de vítimas para pelo menos 164 mortos e mais de 970 feridos. As autoridades alertam que o balanço pode aumentar, já que há pessoas desaparecidas e equipes continuam procurando sobreviventes nos escombros.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou o terremoto como um dos mais severos já registrados na história recente da Venezuela e alertou que o número de vítimas pode crescer à medida que as equipes avançam nas buscas.

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E brasileiros?

Até o momento, o Itamaraty informou que não há registro de brasileiros entre os mortos ou feridos. O governo brasileiro informou que continua prestando assistência consular aos cidadãos afetados pelos danos materiais causados pela tragédia.

Um português morreu no terremoto?

Sim. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal confirmou, nesta quinta-feira (25), a morte de um cidadão português. A vítima chegou a ser retirada dos escombros com vida, mas não resistiu aos ferimentos durante o transporte para o hospital.

Mais cedo, o ministro Paulo Rangel havia informado o desaparecimento de uma família portuguesa composta por quatro pessoas na região de La Guaira, além de uma cidadã também desaparecida em Caracas, o que mantém as autoridades em estado de alerta.

A Venezuela abriga uma das maiores comunidades portuguesas fora da Europa e a segunda maior da América Latina, com cerca de 1,2 milhão de portugueses e luso-descendentes. A maior parte tem origem na Madeira, seguida por fluxos migratórios vindos de regiões como Aveiro e Porto, segundo dados oficiais.

O terremoto foi sentido no Brasil?

Sim. Os tremores foram percebidos em diferentes áreas da Região Norte do Brasil, especialmente em cidades como Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá. Moradores relataram vibrações em prédios e movimentação de móveis. Apesar dos relatos, não há registro de danos estruturais ou vítimas em território brasileiro.

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Por que os terremotos foram tão fortes?

Especialistas classificaram o episódio como um “duplo terremoto” ou “dupleto sísmico”, quando dois grandes sismos acontecem praticamente no mesmo local e em sequência.

Além da magnitude elevada, a pequena profundidade dos tremores aumentou o potencial destrutivo. Os terremotos foram considerados os mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século.

Há risco de novos tremores?

Sim. O governo venezuelano confirmou dezenas de réplicas desde o primeiro abalo. As autoridades mantêm alertas para possíveis novos tremores e pedem que a população evite edifícios com danos estruturais até a conclusão das inspeções de segurança.

Como está a situação agora?

As operações de resgate continuam em Caracas e nas regiões costeiras mais afetadas. Equipes internacionais já começaram a oferecer apoio humanitário e técnico para auxiliar na busca por sobreviventes e na reconstrução das áreas destruídas.

O governo venezuelano anunciou um fundo emergencial de 200 milhões de dólares para reconstrução e recuperação das infraestruturas danificadas.

*matéria em atualização