A eterna rivalidade gaúcha entre Grêmio e Internacional já produziu de tudo: títulos, goleadas, gozação e provocações intermináveis. Mas nunca a dupla Grenal caiu junta para a Série B do Campeonato Brasileiro. A sete rodadas do fim do Brasileiro, o risco é real. Segundo o Departamento de Estatística da Universidade Federal de Minas Gerais, o Tricolor tem 77,4% de probabilidade de queda; o Colorado, 58,4%. Ambos estão hoje na zona de rebaixamento, situação que pode piorar caso o Corinthians vença o Vitória nesta segunda-feira à noite. Este texto foi concluído antes da realização da partida entre eles.

O Grêmio ocupa o 18º lugar, com 31 pontos. O Inter, o 17º, com 32. Dividem a zona da degola com Chapecoense e Remo. A dupla, que sempre disputou a supremacia do Rio Grande do Sul e protagoniza uma das maiores rivalidades do planeta, a nona segundo o ranking do britânico The Mirror e a primeira do Brasil na mesma lista, agora luta para não levá-la para a segunda divisão.

O fim de semana aprofundou ainda mais o desespero. Jogando em casa, o Grêmio perdeu por 4 x 2 para o Cruzeiro. Em Mirassol, o Inter levou 2 x 0 dos donos da casa. Os placares são sintomas de crises construídas bem antes da reta final: planejamento ruim, contratações questionáveis e a crença de que mudar o técnico basta para consertar o time.

No Grêmio, o eterno ídolo Renato Portaluppi, em sua quinta passagem pelo clube, voltou recentemente com a missão de apagar o incêndio, mas ainda não venceu: três empates e uma derrota. Após o revés diante do Cruzeiro, criticou a montagem do elenco e as condições físicas de jogadores. Pode até ter razão. Mas bombeiro é chamado para apagar incêndio. Não para alastrar as chamas. E suas palavras, chegou até a declarar voto em Flávio Bolsonaro na coletiva pós-Grenal, só deixaram o clima ainda mais tenso e conturbado.

No Inter, a saída de Paulo Pezzolano, em setembro, tampouco resolveu o problema. A vitória sobre o Corinthians, na estreia do novo técnico Eduardo Baptista, e o empate no Grenal deram algum alento, logo desfeito pela derrota para o Mirassol. A equipe oscila, sofre atrás e cria pouco. A soma dos erros dentro e fora de campo faz com que o clube brigue para não cair pelo segundo ano consecutivo. Ano passado, livrou-se da forca por pouco, na última rodada do campeonato, com uma vitória sobre o Red Bull Bragantino em Porto Alegre.

Par indesejado

A tabela não oferece sossego. Até o final do campeonato, o Colorado recebe no Beira-Rio Botafogo, Coritiba, Vitória e Red Bull Bragantino. Fora de casa, enfrenta Vasco, Cruzeiro e Fluminense. Uma tabela que envolve rivais diretos na luta contra o rebaixamento e times que disputam vagas em competições sul-americanas.

A do Grêmio é ainda mais complicada. O time recebe Athletico-PR, Bahia e Mirassol. Ao contrário do rival, terá quatro confrontos fora de seus domínios, contra o Flamengo, que briga diretamente pelo título, o Corinthians, adversário direto na luta contra o rebaixamento, o Santos em ascensão e o Coritiba.

E há um histórico que torna a ameaça ainda mais cruel. O Grêmio já caiu em 1991, 2004 e 2021. Pode se tornar tetrarrebaixado. O Inter desceu em 2016 e corre o risco do bi. Em todas essas ocasiões, um permaneceu na elite para zombar do outro. E nunca chegaram juntos a uma reta final com ameaça tão concreta de descenso simultâneo.

A rivalidade Grenal sempre teve uma certeza: a desgraça de um é a alegria do outro. Em 2026, os dois podem descobrir que existe coisa pior do que ver o rival na Série B. É ter de acompanhá-lo.