O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa prepara uma operação de grande escala para as eleições de 2026, que terão um número recorde de eleitores: 78,8 mil, um aumento de 74% em relação ao pleito anterior. Para atender ao crescimento, o órgão ampliou os locais de votação. Além da tradicional Faculdade de Direito, haverá urnas também na Faculdade de Letras e na Reitoria da Universidade de Lisboa (confira abaixo a quantidade de eleitores em cada endereço).
Ao todo, serão 209 seções eleitorais, 103 urnas eletrônicas e 80 salas de votação. “Para se ter uma ideia do tamanho desse evento: é o equivalente a um Maracanã lotado, é mais do que a lotação do estádio da Luz, do Benfica”, afirma o cônsul-geral Alessandro Candeas, em entrevista exclusiva à EntreRios.
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As três faculdades ficam na região da Cidade Universitária e para o dia da votação, em 4 de outubro, o Consulado está organizando um grande esquema logístico. O entorno das faculdades será fechado e haverá apenas um local de entrada. Para isso, o órgão conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da Polícia de Segurança Pública (PSP), Bombeiros, Defesa Civil, do Metro e da Carris (que gerencia o sistema de ônibus), além de contar com hospitais de plantão para o caso de incidentes. Ao longo de todo o dia de votação a circulação de metrôs e de ônibus será ampliada. “Estamos montando um plano de contingência desde o ano passado”, resume.
Além da polícia, o Consulado contará com duas empresas de segurança: uma para o perímetro externo na Cidade Universitária e outra que atuará nas dependências das faculdades. Haverá ainda diversos voluntários e funcionários do próprio Consulado que trabalharão na orientação dos eleitores e na organização das filas, além de 412 mesários (ao todo, cada urna corresponde a uma mesa que é coordenada por um presidente e três mesários).
“Estamos trabalhando com três conceitos: o primeiro é a fluidez, a fila tem que andar. Entrar na fila, votar e sair da forma mais rápida possível. O segundo é a segurança e daí a importância do apoio da polícia, dos bombeiros. E terceiro é o conforto. A nossa ideia é que o ato de votar seja feito da maneira mais tranquila e confortável possível. A gente olha para isso com o propósito de valorizar a nossa democracia e o nosso direito ao voto”, aponta Candeas.
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Para que o eleitor possa encontrar mais facilmente seu local de votação, o Consulado também divulga um chatbot (assistente virtual), em que o eleitor pode inserir o número da sua seção, um número de quatro dígitos, (conforme verificado no site do TSE ou no app do E-Título) e a ferramenta indica exatamente como chegar à sala (incluindo direções como subir escadas ou virar em uma determinada direção), além de indicar o link do Google Maps.
“Há quatro anos, essa indicação era feita pelos voluntários, o que formava filas e maiores tempos de espera. O voluntário vai estar lá se precisar, mas agora o eleitor já vai ter isso no seu celular. A dica que a gente dá é que ele já faça isso antes de votar”, indica. Além disso, é importante ter em mãos um documento de identificação com foto e a exibição do E-Título já funciona como documento.
Urnas chegam em setembro
As 103 urnas eletrônicas devem chegar a Portugal por volta de meados de setembro. Elas serão armazenadas no consulado às vésperas das eleições e já serão instaladas para estarem prontas para uso no dia 4 a partir das 8h. Desde as 6h, as equipes já estarão nos locais para que a “zerézima” (comprovante de que a urna não possui votos registrados) esteja afixada na sala antes do horário previsto para o início.
“Um detalhe importante é que haverá fiscais dos partidos e das coligações devidamente credenciados. Eles terão acesso a todas as salas de eleição, de votação, e também à transmissão dos dados. Terminada a votação, o presidente da mesa, na presença dos mesários, dos dois últimos eleitores e dos fiscais, imprime o resultado da urna. Esse resultado é afixado no local público, na sala ou na entrada da faculdade e transmitido à central de recolhimento de todas as votações, em Brasília, no TSE, imediatamente”, detalha.
O Consulado ainda conta com urnas eletrônicas adicionais e até mesmo as urnas antigas (de tecido), como mais uma camada do plano de contingência, caso as máquinas apresentem falhas ou defeitos.
Participação eleitoral
O embaixador lembra ainda que o voto é obrigatório. “Sem o comprovante de votação, o cidadão não tem acesso a documentos como, por exemplo, o passaporte. Esse é um pré-requisito para obtenção de documentos”, ressalta. Os imigrantes que estão em processo de regularização, por exemplo, precisam ter seus passaportes e documentos atualizados.
Para o Cônsul-geral do Brasil em Lisboa, o grande aumento no número de eleitores passa por essa obrigatoriedade para a emissão de documentos e também pelo grande aumento da população brasileira em Portugal. Mas ele também ressalta o engajamento e o interesse dos eleitores pela política.
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“Há um engajamento, um interesse natural do cidadão brasileiro que mora no exterior de se vincular ao que está acontecendo no Brasil. Os destinos do Brasil vão ser decididos, em boa parte, pelas eleições”, finaliza.
Confira como será a divisão do número de eleitores em Lisboa por faculdade:
Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL): serão 34.402 eleitores que votarão no Piso 1, Piso 2 e Subsolo. Haverá 90 seções, 44 urnas e 37 salas.
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL): serão 28.840 eleitores que votarão no Piso 1, Piso 2 e Subsolo. Haverá 76 seções, 38 urnas e 38 salas.
Reitoria da Universidade de Lisboa: serão 15.951 eleitores que votarão no Piso 1 e Piso 2. Haverá 43 seções, 21 urnas e 5 salas.
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Renan Araújo