No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de pessoas estarão aptas para votar nas Eleições que elegerão o novo presidente, governadores, senadores e deputados. Quem vive fora do Brasil também pode participar desse processo de escolha, mas apenas com a eleição presidencial.

As eleições no exterior são coordenadas de modo amplo pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), mas organizadas pelos Consulados-Gerais de cada uma das cidades.

Portugal é o segundo maior colégio eleitoral fora do país, com mais de 134 mil eleitores. Crédito: Manuel Almeida/Lusa

Ao todo, mais de 918 mil brasileiros (aumento de 31,83% em relação a 2022) que residem no exterior poderão votar em 186 cidades de 134 países pelo mundo. O crescimento significativo fez com que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) investisse R$13,2 milhões para o aluguel de 66 espaços para comportar as eleições.

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Portugal é o segundo maior colégio eleitoral fora do país, com mais de 134 mil eleitores, um crescimento de 66,63% em relação a 2022, enquanto Lisboa é a cidade no exterior com o maior número de eleitores, com mais de 78 mil. Confira mais sobre as eleições em Lisboa aqui.

A capital portuguesa possui mais eleitores que 5.346 cidades brasileiras. Já o Porto, no norte do país, é o terceiro maior colégio eleitoral em terras estrangeiras, com 47,6 mil aptos a votar. Confira mais sobre as eleições no Porto aqui.

A outra cidade portuguesa que receberá o pleito é Faro, no sul do país, que concentra 9 mil pessoas. Confira mais sobre as eleições em Faro aqui.

Poderão votar apenas as pessoas que realizaram a transferência do seu título até o 6 de maio. Quem não realizou esse procedimento terá que justificar seu voto por meio do aplicativo oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Para o pleito de 2026, as eleições em Lisboa acontecerão, para além da Faculdade de Direito de Lisboa, também na Reitoria e na Faculdade de Letras.

“Queremos que o eleitor se sinta confortável e que haja fluidez e facilidade para o exercício do direito de votar”, afirmou Alessandro Candeas, cônsul-geral do Brasil em Lisboa. Está prevista ainda a utilização de 103 urnas eletrônicas e a convocação de mais de 400 mesários que incluem voluntários e eleitores que foram convocados pelo órgão consular.

Apenas a cidade de Lisboa deverá receber 103 urnas eletrônicas para a votação. Crédito: Antônio Augusto/TSE

Os Consulados do Porto e de Faro também realizaram uma convocação de mesários voluntários. Na capital do Algarve, a eleição acontece no próprio Consulado enquanto no Porto serão utilizados dois prédios do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).

Em Portugal, os principais lados envolvidos na disputa já se mobilizam para angariar votos para os principais candidatos da disputa: Lula e Flavio Bolsonaro. O Núcleo do PT em Lisboa realizou eventos com transmissões do lançamento oficial da candidatura à reeleição do atual presidente, além de realizar outros atos de mobilização na campanha eleitoral até o início de outubro e um evento para acompanhar a votação no dia do pleito.

Eleições brasileiras em Portugal. Crédito: Manuel de Almeida/Lusa Leia também Onde votar nas eleições brasileiras em Portugal? Veja como consultar o local e a seção

O lado bolsonarista também tem organizado atos para seus eleitores com manifestações em diversas cidades do país. Também deve haver eventos para o acompanhamento dos resultados no dia das eleições.

Participação dos eleitores

Os eleitores brasileiros se mobilizaram para regularizar seus títulos a tempo de participar das eleições brasileiras em 2026, incluindo aqueles que não tinham realizado a transferência para Portugal no pleito passado. Esse é o caso do biólogo Arthur Cupertino que disse ter se arrependido de não ter participado das eleições de 2022.

Arthur Cupertino votará pela primeira vez em Portugal e diz ter se arrepedindo de não ter participado da eleição passada. Crédito: Divulgação

“Há uma importância simbólica de demonstrar como queremos que o nosso país seja visto aqui fora. Apesar de estarmos fisicamente fora do cotidiano do país, muitos ainda trabalham para o Brasil, e todos somos afetados direta ou indiretamente pelo que acontece lá”, afirma ele.

Esse também foi o caso da analista de marketing Kizzy Montenegro, que disse acreditar que as políticas públicas brasileiras também influenciam a vida de quem mora fora do país.

“O presidente e as políticas públicas do país continuam influenciando a vida de quem está expatriado, seja nas relações com os brasileiros no exterior, na documentação, na assistência consular, na educação, na economia, nas relações de trabalho ou na própria relação do Brasil com o mundo”, ressaltou.

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O especialista em Tecnologia da Informação (TI), Saulo do Val, vai votar pela segunda eleição seguida no país europeu. Para ele, o voto é um exercício da cidadania e de participação da escolha dos rumos de um lugar que ele ainda vê como casa. Ele afirma que acredita que o voto também será importante para impedir movimentos com visões sectárias que possam repercutir pelo mundo.

Saulo do Val diz que é importante participar da escolha dos rumos de um lugar que ele ainda vê como casa. Crédito: Divulgação

“Tenho família no Brasil e tenho aqui, em Portugal, um filho que também terá cidadania brasileira. Quero ter certeza de um futuro melhor para a família que ficou e, quem sabe, também de um futuro melhor para um filho que pode decidir fazer o caminho contrário ao meu e voltar ao Brasil”, destaca.

renan@revistaentrerios.pt

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