Esporte

As interrogações de Ancelotti

A poucos dias da convocação para a Copa, o técnico italiano tem poucas dúvidas. Mas algumas podem mudar a história do Brasil no Mundial

Maio 13, 2026

Ancelotti. Crédito: @rafaelribeirorio/CBF
Ancelotti. Crédito: @rafaelribeirorio/CBF

A convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo já não será apenas uma lista. Será também um misto de prontuário médico, jogo de compensações e o retrato real do que o treinador tem nas mãos para a Seleção Brasileira no Mundial. A poucos dias do anúncio dos 26 nomes que vão tentar o Hexa na América do Norte, o italiano chega à reta decisiva com ausências pesadas, dúvidas incômodas e uma certeza: a surpresa deixou de ser capricho para virar necessidade.

Nos últimos meses, lesões riscaram da lista presenças certas na papeleta de Ancelotti, como o atacante Rodrygo e o zagueiro Éder Militão. O primeiro era uma peça quase natural no ataque. O segundo resolvia mais de um problema na defesa, como zagueiro de elite e opção para a lateral direita. Outra ausência quase certa será a do atacante Estêvão. Fora da lista obrigatória enviada pela CBF à Fifa na segunda-feira, o jovem atacante deixa de ser dúvida e passa a ser uma dor de cabeça e tanto para Ancelotti.

Sem Rodrygo e Estêvão, abre-se uma avenida no ataque. É aí que um nome até então improvável ganha força: Pedro. Pela primeira vez em uma pré-lista de Ancelotti, o centroavante do Flamengo oferece uma característica que falta ao Brasil: presença de área. Em um time cheio de jogadores móveis, pontas e atacantes de flutuação, Pedro pode ser a surpresa menos barulhenta e mais lógica. Copa também se decide na bola cruzada, na sobra, no jogo travado em que se precisa de alguém para estar na hora certa e no lugar certo.

Vice-artilheiro da Premier League pelo Brentford, Igor Thiago é outra alternativa pela força, pelo poder de definição e por ter se consolidado como um dos principais atacantes da maior liga do futebol mundial. O ex-vascaíno Rayan, se aparecer, entraria como aposta de velocidade e futuro, daquelas que dividem opiniões antes mesmo da estreia.

Neymar é um capítulo à parte. O camisa 10, que está na pré-lista do técnico, mas fora do álbum de figurinhas da Copa, continua vivo no radar do italiano. Sua convocação final, se vier, não será surpresa pela biografia. Mas pelo presente. Depois de várias lesões, atuações sem brilho pelo Santos e uma relação mais tensa com a torcida e a imprensa, Neymar já não chega como solução óbvia. Seria uma aposta de risco, talvez a maior de todas. Mas justificável pelo fato de ser o maior craque brasileiro desde que a geração do Penta pendurou as chuteiras. Os dois jogos desta semana contra o Coritiba serão decisivos para Neymar confirmar, ou não, seu nome na lista de embarque para o Mundial.

Na defesa, a lesão de Militão também reabre a porta para nomes menos prováveis. Wesley aparece como solução mais natural para a lateral. E Thiago Silva, aos 41 anos, deixa de ser apenas lembrança afetiva para voltar ao debate como hipótese de liderança, leitura de jogo e controle emocional. Seria uma convocação surpreendente, mas não impossível.

A Copa começa de fato para o Brasil na próxima segunda-feira. E, desta vez, as surpresas de Ancelotti podem não estar nos nomes mais inesperados, mas nas respostas que ele escolher para cobrir os buracos deixados por quem parecia certo, mas ficou pelo caminho.

Chico Silva. Foto: Divulgação