Biodanza: o que é a prática que une dança e saúde mental
A aula atua diretamente na regulação do sistema nervosona e tem impacto direto na autoestima, na forma de se relacionar e até na maneira como se lida com o dia a dia
- Lisboa
Abril 22, 2026
Há quem chegue pela curiosidade e fique pela experiência. Em Lisboa, a proposta da professora Danielle Tavares convida a um encontro diferente com a dança — sem coreografia, sem performance e sem a pressão de acertar passos. Através da biodanza, prática criada pelo chileno Rolando Toro, o movimento ganha outro significado e torna-se uma ferramenta de desenvolvimento humano, capaz de transformar a forma como cada pessoa se percebe e se relaciona com o mundo.
A ligação de Danielle com a biodanza começou cedo, quase como parte da sua própria história. “O meu primeiro encontro com a biodanza aconteceu aos cinco anos de idade”, conta à EntreRios.
Filha de um psiquiatra que trouxe o método para o Brasil ainda nos anos 1970, cresceu em contato com a prática, embora só mais tarde tenha compreendido a dimensão do que ali acontecia. Foi já na adolescência que percebeu a virada. “Deixa de ser uma dança-espetáculo ou uma prática orientada para a performance e revela-se como uma ferramenta profunda de desenvolvimento humano.”
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Benefícios da biodanza
Psicóloga clínica e investigadora, Danielle explica que a proposta da biodanza vai muito além da ideia tradicional de dança. Não há passos a decorar nem um padrão a seguir. O convite é outro. “Quando uma pessoa começa a mover-se sem essa obrigação de conformidade, sem essa exigência de corresponder ao olhar do outro, abre-se um espaço de liberdade muito raro.” É nesse espaço que surgem mudanças que não ficam apenas na sala. A prática atua diretamente na regulação do sistema nervoso, criando um ambiente de segurança que favorece a empatia, a escuta e o vínculo.

Esse ambiente, segundo ela, é essencial. “Quando o sistema nervoso se sente seguro, surgem naturalmente a empatia, a capacidade de escuta, de diálogo.” O corpo deixa de reagir em estado de alerta e passa a permitir outras experiências. A proposta é criar condições para que cada pessoa se mova a partir da sua própria verdade. E isso, na prática, tem impacto direto na autoestima, na forma de se relacionar e até na maneira como se lida com o dia a dia.
Mudança pessoal
Ao longo dos anos, Danielle foi percebendo essas transformações em si. “Eu era tímida e deixei de o ser. Percebi que comecei a permitir-me mais.” A mudança não veio de um entendimento racional, mas da experiência vivida no corpo. É essa lógica que orienta a biodanza. “Para conhecermos verdadeiramente algo em nós e para podermos mudar os nossos padrões diante da vida, é preciso que essa compreensão passe pela pele, pelo sentir.”

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Hoje, depois de oito anos em Portugal, a professora começa a consolidar o seu trabalho em Lisboa, com grupos regulares e novos ciclos de formação para quem quer aprofundar a prática ou até torná-la profissão. As aulas acontecem no espaço Dhara Lisboa, em Benfica, e seguem abertas a pessoas de diferentes idades e percursos. “A grande característica da biodanza é precisamente esta: ela é para todos.”

A prática propõe um reencontro com algo que muitas vezes fica esquecido na rotina. “Na biodanza, celebramos intensamente a vida, a possibilidade de cada pessoa ser ela mesma.” E, talvez por isso, os efeitos ultrapassem o momento da aula. Como a própria Danielle descreve, a mudança acontece aos poucos, quase sem esforço, mas com profundidade. “A transformação não se impõe: cultiva-se.”
renata@revistaentrerios.pt