Chico Díaz fala sobre “Os Donos do Jogo”, carreira e planos entre Brasil e Portugal
Ator revisita trajetória, comenta sucesso em "Os Donos do Jogo" e revela planos para 2026
- Lisboa
Dezembro 8, 2025
Com cinco décadas dedicadas à televisão, ao cinema e ao teatro, Chico Díaz segue expandindo sua presença artística com a vitalidade de quem se reinventa.
Dono de mais de 80 filmes no currículo e personagens marcantes na teledramaturgia – como o cafetão Jader, em Paraíso Tropical, Belmiro em Velho Chico, Átila Mendonça em A Favorita e Rivaldo Valente em Todas as Flores – o ator viveu agora um dos papéis mais comentados de sua carreira: o temido Galego, da série Os Donos do Jogo, da Netflix.
A performance, elogiada por público e crítica, dá nova dimensão à presença de Chico em cena. A produção de Heitor Dhalia mergulha nos bastidores e disputas de poder da máfia do jogo do bicho carioca, combinando crimes e elementos de melodrama.
Nesta entrevista o ator fala sobre a construção de Galego, seus processos, escolhas, expectativas para 2026 e o diálogo constante entre Brasil e Portugal em sua trajetória recente.
Quais foram os principais desafios de construir essa personagem?
Rapaz… conhecida a partitura e as relações entre os personagens e seus contextos, cabia-me suprir e encontrar signos e símbolos que denotassem a força e o poder de Galego. Eu sou pequeno, leve; deveria então buscar adensamento e peso nos gestos e na voz. Técnica pura. Exercícios, concentração e disciplina. Isso fisicamente, né?
Há também algo ali do conhecimento da realidade do Rio de Janeiro e das diversas camadas adquiridas ao longo da carreira, tantos personagens já vividos, que me deram caminhos sutis e profundos para montar o leão. Para apresentar o Galego para o mundo.

O universo de Os Donos do Jogo envolve temas como poder, corrupção e moralidade. Como você se preparou para navegar por esse ambiente?
Poder sim, corrupção e moralidade eu não vi. (risos)
Ah, meu caro, são tantas as formas de percepção da realidade e de como transformá-las em significado e expressão. Você abre os jornais e a selva está lá, nítida e clara! A realidade. Atento, você pode recortar o que interessa e trazer esses elementos para a ficção. Você veja o dia a dia das notícias políticas do Rio e… pasme! Parece mesmo ficção, mas não é.
LEIA TAMBÉM: António Variações: exposição com fotos raras abre em Lisboa
Como você escolhe seus projetos hoje?
Basicamente na proposta de universo que vem no roteiro, o fôlego da produção e o consequente desafio para o intérprete — que é o que me provoca mais, não só no conteúdo, mas principalmente na forma (linguagem e narrativa).
Há uma musculatura do intérprete que exige desafios cada vez maiores. Há uma travessia a fazer. E, claro, a equipe com a qual trabalhamos, o que é fundamental.
Cada vez mais acredito que um vazio oferecido pode ser um bom procedimento para aproximação do personagem. Todas as variáveis em volta convergem para preencher aquele ser: a direção e seu tom, os colegas e as relações, a luz da cena, os enquadramentos, as lentes, os cenários, o figurino, o plano de filmagem e seus segredos… Tudo isso contribui para o abandono na hora da ação. Muito estudo também ajuda a encontrar as melhores palavras para determinadas situações, essas coisas.

O que pesa mais na decisão?
O personagem, claro.
Estamos na reta final do ano. Para 2026, o que você consegue adiantar que fará profissionalmente?
Pretendo viver a segunda temporada da série, voltar a Lisboa, amar uma pessoa e, se der certo, fazer uma nova exposição. Uma nova no Rio também está programada.
Portugal vai ter exposição ou algum espetáculo seu?
Espetáculo? Acho que vou tentar levar meu monólogo A lua vem da Ásia para Lisboa e Porto, mas ainda preciso de respostas dos devidos apoios. Estou também naquela via crucis do cartão de residência, não é? Isso determina muito o espaço de manobra. Espero que as autoridades vejam com bons olhos a minha clara intenção de ser ponte entre as duas culturas e me aceitem. Há muita poesia para se viver.
E o que mais espera para os próximos anos?
Ver os meus filhos crescerem e serem bons cuidadores da saúde deste mundo.