Coluna

Junho e o poder do amor

Junho 9, 2026

Crédito: Katerina Holmes/Pexels.
Crédito: Katerina Holmes/Pexels

Junho em Portugal tem um significado próprio. Em Lisboa, as ruas se enchem de música nas festas de Santo Antônio, com bandeirinhas, marchas populares e o perfume das sardinhas assadas inundando os bairros. É lindo ver essa celebração de encontros, tradições e afetos de forma tão viva, vínculos que dão sentido às histórias e relações que construímos.

Para os brasileiros, este é o mês dos namorados. Eu mesma recebi em um 13 de junho meu pedido de noivado. Construímos uma família e, todos os dias, descobrimos que o amor não se revela só nos grandes momentos, mas na forma como escolhemos viver. Nossa filha nos ensina que amar também é educar pelo exemplo, transmitir valores e participar da formação do caráter de quem amamos.

Junho é um convite à contemplação dos afetos. Cada cultura escolhe sua maneira e seu tempo de homenagear o amor, embora ele, na essência, não pertença a datas. O amor se revela nelas com algo de transformador, uma força que atua (nem sempre) para reorganizar tudo por dentro. Ele desloca, inquieta, acolhe, é impulso e escolha, intensidade e permanência. Paradoxal como tudo que é essencial, o amor nos modifica enquanto nos aproxima de quem realmente somos. Percorre extremos e possibilidades e, justamente por isso, nunca pode ser pequeno.

Desde as narrativas mais antigas, tentamos compreender o amor por meio de histórias. Na mitologia, Eros representa mais do que o desejo: é energia criadora. Ao seu lado, Afrodite revela a beleza e a complexidade dos vínculos humanos. Já na literatura, Romeu e Julieta eternizam um amor intenso, capaz de de safiar limites e atravessar o tempo.

Fora da ficção, o amor se constrói de maneira mais silenciosa, mas igualmente poderosa. Está nas escolhas diárias, na constância do cuidado, na decisão de permanecer. Amar é bem mais do que sentir; é apoiar, compreender e desejar, sem medidas, a felicidade do outro. Uma de suas expressões está no exemplo, na forma como educamos os filhos, na presença que oferecemos mesmo em meio à correria da vida. Nossa filha Helena cresce aprendendo que o amor se revela nos gestos, na gentileza, na maneira como tratamos as pessoas.

Talvez por isso o amor tenha essa força de renovação. Ele inaugura começos e ressignifica caminhos. Junho não cria o amor — apenas nos convida a reconhecê-lo, celebrá-lo e mantê-lo vivo nas pequenas escolhas do cotidiano. Porque, no fim, não é a data que importa, mas a forma como o amor atravessa o tempo e, silenciosamente, transforma tudo o que toca.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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