GABRIELA LOPES

Mulher no comando

Agosto 18, 2026

Mulher no comando. Crédito: Pexels
Pesquisas mostram que mulheres em posições de poder entregam produtividade, capacidade de decisão e desempenho financeiro. Crédito: Pexels

Mulher ocupar postos de comando está deixando de ser apenas uma pauta social para ser reconhecido também como um impulsionador de resultados. Sim, hoje pesquisas mostram que mulheres em posições de poder entregam produtividade, capacidade de decisão e desempenho financeiro. E isso vai abrindo caminhos na mesma medida em que deixa para trás, felizmente, o tempo em que precisávamos pedir licença para atuar em cargos de liderança.

Claro que a cultura ainda mantém as estruturas de comando mais nas mãos dos homens. Mas a força e o empenho feminino nos negócios, nos eventos e no empreendedorismo crescem a passos largos.

Não é porque o mundo deixou de ser machista. Ainda não, e nem podemos romantizar essa ideia. É porque barreiras estruturais, preconceitos e desigualdades institucionais estão sendo enfrentados — e, muitas vezes, superados — pela competência.

A mulher que antes era rotulada, de forma preconceituosa, como “difícil”, “briguenta” ou “exigente” hoje é disputada por empreendedores e patrocinadores que buscam segurança, eficiência e resultados. Dados de um estudo recente publicado no British Journal of Social Psychology traz dois pontos que chamam a atenção. O primeiro: mesmo empresas que parecem abraçar a diversidade de gênero ainda mantêm uma cota pequena de mulheres em cargos de elite. O segundo: muitos homens que participaram da pesquisa disseram preferir candidatas mulheres para cargos de chefia. A segurança com que elas exercem a função é um dos principais ativos.

Parece um grande avanço na escalada pela igualdade de gênero. E é. Mas não dá para sair comemorando ainda. A constatação é que essa preferência tende a recair mais sobre mulheres que se enquadram em um modelo masculino de liderança.

E aí está um ponto importante: não queremos reproduzir formatos. Temos os nossos próprios. E eles passam pelo trabalho que inclui homens e mulheres, pelo engajamento coletivo e pela rejeição a qualquer tipo de desigualdade.

Minha experiência no comando de eventos de grande porte — projetos que exigem de mim e da minha equipe um ano inteiro de trabalho preparatório — e no empreendedorismo, sempre valorizando a diversidade e combatendo a exclusão, me ensinou que ocupar espaços de poder não é apenas chegar lá. É também deixar a porta aberta para o que vem depois, e para quem vem depois.

Esta coluna foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa, assine aqui.