Futebol

O menino João

Julho 2, 2026

Crédito: Roman Biernacki/Pexels.
Crédito: Roman Biernacki/Pexels.

João trocou o Brasil por Portugal no fim de 2024. Tinha, na altura, cinco anos de idade. Não nutria qualquer interesse por futebol, tampouco o mínimo jeito para chutar uma bola. Um caso bastante raro. Peculiar.

Nos primeiros meses em solo português, passou a demonstrar, ainda que de forma tímida, uma curiosidade por ele: Cristiano Ronaldo. Provavelmente por influência dos novos amigos, aprendeu a imitar os gestos (e os gritos) do maior ídolo esportivo da história do país.

Até então, vestia, vez ou outra, camisas do Palmeiras, claramente pela forte influência da família, sobretudo do pai e do avô materno. Dizia aqui e ali ser palmeirense, ironizava o Corinthians, mas tudo de forma pouco orgânica.

Chegou a ganhar do tio (corintiano) uma camisa da seleção portuguesa, tendo nas costas, obviamente, o nome de Ronaldo e o número 7. Curtiu. Passou a usá-la com certa frequência. Entretanto, não foi o ponto de viragem.

Tudo mudou de vez com a aproximação da Copa do Mundo. Rapidamente ampliou o dicionário futebolístico e também o leque de personagens de peso para admirar, como Neymar, Vinicius Junior, Kylian Mbappé e Lionel Messi.

O ápice acabou por ser o álbum e as figurinhas do Mundial (caderneta e cromos, respectivamente). Praticamente um vício. Ao abrir o primeiro pacotinho (saqueta), encontrou de cara um jogador do Brasil. Vibrou como se tivesse conhecido algum influenciador infantil famoso.

Apesar de ser algo completamente comercial, especialmente agora, com uma edição inédita do Mundial com 48 seleções (leia-se: quase mil figurinhas), a febre do momento não deixa de ser um útil amplificador de conhecimento geral.

Fortalecer a alfabetização ao ler os nomes de atletas e países acaba por ser o melhor dos dois mundos. Há ainda bastante história e geografia. Onde fica determinado país? Quantos títulos mundiais tem cada seleção?

Existe também a parte educacional da dispendiosa brincadeira. A depender da condição de vida, um menino comportado e respeitador pode ser aquele que mais rapidamente vai finalizar a coleção. Isso, claro, porque aqueles que têm uma situação financeira privilegiada naturalmente serão sempre os mais favorecidos.

João hoje caminha para completar oito anos. O garoto já é quase um moço. O maior interesse pelo futebol é apenas um (bom) pequeno exemplo de como o esporte mais apaixonante do mundo, quando usado da forma certa, pode ser enriquecedor.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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