Festas

Então, é Natal

Passar o Natal em Portugal pode ser um choque cultural para brasileiros, do clima gelado ao cardápio diferente, falta até o famoso queijo-do-reino

Dezembro 10, 2025

As diferenças entre o Natal brasileiro e o português surpreendem quem passa as festas por aqui. Crédito: Pexels.

Jingle bells, jingle bells, o ano passou voando, dezembro chegou e, como cantarola a Simone, então é Natal. Uma data especial em todo o mundo, hora de reunir a família. Mas, para o brasileiro em Portugal que não achou uma passagem da TAP na meia pendurada na janela e vai ficar aqui, nunca é demais lembrar que a festa guarda algumas surpresas em relação ao Brasil.

Pra começar, neste lado do hemisfério não é verão, mas auge do inverno europeu, portanto, adeus bermudas, mangas-curtas e chinelos. E, se a sua família é das que gostam de se reunir em volta do peru assado, melhor ir tirando o cavalinho, ou melhor, a rena da chuva. Em Portugal, a ave-símbolo do Natal tem um rival de peso. Literalmente. Aqui, o leitão é um dos preferidos da mesa natalina. Talvez até mais popular do que o concorrente de penas.

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E não é qualquer porquinho, não, mas aqueles de desenho animado, inteiro e rosado, servido numa bandeja de metal com cabeça, orelhas, focinho e uma maçã enfiada na boca. Um leitão da cabeça aos cascos é o que menos pode assustar os brasileiros na ceia de Natal. A grande surpresa, mesmo, é não encontrar o queijo-do-reino à mesa. Pois é, caro leitor e leitora, vá lá saber o motivo, mas com a pimenta-do-reino é a mesma coisa, os dois não existem no antigo reinado.

Num Natal desses até pensei ter visto um queijo-do-reino em um supermercado. Não queria acreditar, meu coração palpitou, foi como ter encontrado a Luana Piovani piscando para mim na sessão dos lacticínios. Lá estava ele, redondinho, vermelho por fora e amarelo por dentro. Salivando, corri em sua direção tão veloz que devo ter batido algum recorde olímpico.

Imagine, então, o tamanho da minha surpresa e decepção quando na noite de Natal peguei a espátula específica para queijos que comprei só para a ocasião — aquela que tira uma fatia bem fininha para durar muito e, por causa disso, na minha família é carinhosamente chamada de pirangueirinho — avancei na iguaria para descobrir se tratar de… mussarela.

E, com o fake à mão, como se empunhasse uma espada, bradei bem alto:“Meu reino por um queijo-do-reino”.

Neste Natal, tomei minhas precauções, e o queijo-do-reino está no topo da lista de presentes que enviei pelo WhatsApp para o Pólo Norte. Mas, só aí me lembrei que em Portugal eles não acreditam em Papai Noel, e sim, no Pai Natal. E agora, será que alguém tem o número do Bom Velhinho tuga?

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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