Esporte

Neymar, uma aposta de risco

Busca por um protagonista fez Ancelotti ceder e escolher alguém com quem dividirá a culpa pelo possível fiasco

Maio 21, 2026

Neymar. Crédito: Reprodução Instagram
Neymar. Crédito: Reprodução Instagram

Os aplausos e gritos de alegria da plateia que ouviu o italiano Carlo Ancelotti anunciar o nome de Neymar entre os convocados para a Copa do Mundo explicam bem por que o ex-craque brasileiro –  isso mesmo, ex-craque – ressuscitou para a lista e subiu aos céus. Ele chega com o nome que assinou gols e dribles memoráveis em um passado não tão distante, mas também não tão próximo. Neymar chega desvalorizado, com um edema na panturrilha direita e ciscando ali perto da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Mas Neymar é Neymar.

Neymar é a conexão da seleção brasileira com o torcedor, e essa talvez seja a explicação melhor para sua convocação. Único nome a provocar a discussão popular sobre o vai-não-vai à Copa, o jogador do Santos, se fosse barrado no baile, aumentaria a responsabilidade de Ancelotti, candidato a culpado pelo fiasco que, cá entre nós, tem tudo para acontecer. Neymar divide a culpa, o noticiário e as atenções.

Na falta de um Pelé, um Romário, um Ronaldo Fenômeno ou um Ronaldinho Gaúcho, a busca por um protagonista fez Ancelotti apontar para um jogador que, certamente, não tem mais a oferecer o que dele se quer. Ancelotti acreditou que sonhar custa menos do que arriscar. Cedeu às pressões e ruborizou-se com a culpa de não ter convocado João Pedro, o atacante de 24 anos a quem nada adiantou a vitória na eleição, por voto popular, de melhor jogador do Chelsea na temporada, com 20 gols. O jovem que já enche os olhos do Barcelona não curou a cegueira do experiente treinador italiano.

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Já os olhos dos especialistas em marketing estão bem abertos para Neymar, que emocionou o mundo ao postar, nas redes, seu choro de alegria com a convocação para a Copa. Entre os acessórios, usava um boné com a marca de uma famosa bebida energética de uma multinacional sediada na Áustria. Ou seja: mesmo a quilômetros de distância do craque que foi e encantou o planeta, Neymar  segue escolhido, não somente por Ancelotti, mas também pelas empresas de projeção internacional. Ele ainda fortalece marcas e, com seus balangandãs, estará entre os mais midiáticos jogadores desta Copa do Mundo. É certo que, na seleção brasileira, ninguém engraxa suas chuteiras no quesito garoto-propaganda.

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Ancelotti deu asas a Neymar. Que o ex-craque voe e justifique os aplausos e gritos de alegria despertados na plateia no dia da convocação. Ou o mundo não compreenderá a preterição de João Pedro – um tormento para o resto da vida do treinador, de contrato renovado até 2030 com a seleção brasileira.

Marluci Martins. Crédito: Divulgação